2014-02-25

As ondas do mar são como as mulheres
às vezes serenas e dóceis,
como a frescura de um baptismo
que nos lava da certeza
de uma morte infinita.

 Outras vezes agigantam-se
 e são um mar revolto de fome
 e de sede
 de conquista da terra.

Agigantam-se tenebrosamente
para engolir a servil lida masculina
e são a espuma a borbulhar
como o clamor de um mar exaltado.

Essas mulheres com íntimos abismos
de uma profundidade oceânica
elas são o vício e o precipício
que enleva a nossa verticalidade.

Elas são o oceano da nossa alegria.

2 comentários:

ONICE disse...

excelentes imágenes y metáforas en sus letras, al mimetizar a la mujer con la profundidad oceánica...

José Miguel de Oliveira disse...

Gracias Onice,
Ainda hoje não sei se foi o mar ou as mulheres que me despertaram a analogia. Em ambos os casos são sempre um mistério, um infinito a descobrir. São o meu mergulho de cortar a respiração...