2009-09-22

Havia na casa dos avós um sótão
onde a criança revolvia o passado
e dele nasciam ovos e embriões
de muitas mães celestiais
que eram truncados
pelo desejo dos filhos.
(...)Havia na casa dos avós
portas impensáveis por abrir
e a criança concebia uma máscara
para fingir que se encontrava
prisioneira do seu tamanho
porque estava sempre de cócoras
no presente e o futuro
era um tempo de outra altura.
(...)Até que um dia
a criança se levantou do silêncio
e voou da janela de casa
para que os pais assistissem
ao seu nascimento donde do fundo
da carne, da pele e dos ossos
se escreveu no céu uma nova língua
e se ergueu outra cidade.

3 comentários:

Delirius disse...

Abraço, José!
... e na minha cabeça as memórias das tuas palavras. Tinha saudades de ler-te.

Lídia Borges disse...

Sempre tão difícil sabermos onde estamos acordados...

Lindo, o teu poema!

L.B.

Sílvia disse...

"Até que um dia
li este poema e me levantei
do silêncio
e voei da janela de casa"

É o efeito que me provoca este poema. Afinal acho que não vou precisar de nenhum tsunami :)
Grande poema, poeta d'Elvas