2009-05-12

Guardo todos os amigos
num lugar
muito antigo.

Eles entram-me em casa
como os amantes

de braços abertos
para nos apertarmos sem
misturarmos a raça
nem termos cadilhos de sangue
a pedir-nos o pão.

Os amigos que temos
de ter sempre
prontos para largar
como o vício do tabaco
a que ficamos agarrados
e que mesmo que se abandone
na verdade não nos abandona.

Os amigos que quando não
se encontram há muito tempo
parece que conservam a mesma
idade porque ainda trazem vestidos
os mesmos trapos de lã
que nos agasalharam
do frio glaciar onde caímos.

6 comentários:

Delirius disse...

"...basta haver um lugar para fazer um amigo."

Lindissimo o teu poema, Zé Miguel!

Beijinho.

Madalena disse...

Tão bonito o poema quanto o tema. :)

Para mim Amigo soa melhor que a palavra Amor.

lagrima disse...

Acabei de ouvir-te Zé Miguel!
"Vêmo-nos amanhã"..., adorei!!!
Obrigada, foi um lindo presente!
Excelente trabalho, dar essa oportunidade a quem merece! Parabéns! Espero merecer continuar a receber presentes destes. É que adoro a tua poesia.

Beijo, Delirios Poeticos!

Anónimo disse...

..gostei muito do lugar antigo, do desencontro dos amigos, dos abrigos, dos amantes, dos braços abertos, dos cadilhos. Os amigos agradecem esta elegia( no sentido clássico, claro) amorosa. E, prometo, que vou voltar a olhar.
obgda
bj
olga

Lídia Borges disse...

Gostei muito deste poema.
Gostei da ideia de ter os amigos guardados num lugar antigo, sempre com a mesma idade e as mesmas roupas. Assim, imutáveis para nosso sossego...
Obrigada pelo comentário sobre Nuno Júdice.
Concordo com o que diz sobre a poesia como um todo, o poema como um todo...
"Nenhum livro merece ser conclusivo"
O medo!!! Sempre tão descaradamente conclusivo.

Anónimo disse...

Quanta beleza, quanta poesia exalando de constatações que são suas, que são nossas, de todos nós que, graças a Deus, temos amigos sinceros.
Stella Tavares

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